terça-feira, 21 de setembro de 2010

Guerra do Paraguai

No século XIX, as nações americanas emancipadas após a crise do sistema colonial se lançaram ao desafio de estabelecerem a soberania política e econômica de seus territórios. Essa seria uma tarefa bastante difícil, pois passados séculos de dominação colonial, esses novos países teriam que enfrentar os desafios estabelecidos pelo capitalismo industrial e financeiro do período.
Segundo alguns estudiosos, o processo de independência das nações latino-americanas não significou o fim da subserviência política e da dependência econômica. Sob outros moldes, esses países ainda estavam presos a instituições corruptas e a antiga economia agroexportadora. Contrariando essa tendência geral, durante o século XIX, o Paraguai implementou um conjunto de medidas que buscavam modernizar o país.
Nos governos de José Francia (1811-1840) e Carlos López (1840-1862) o analfabetismo foi erradicado do país e várias fábricas foram instaladas com o subsídio estatal. Além disso, melhorou o abastecimento alimentício com uma reforma agrária que reestruturou a produção agrícola paraguaia ao dar insumos e materiais para que os camponeses produzissem. Esse conjunto de medidas melhorou a condição de vida da população e fez surgir uma indústria autônoma e competitiva.
No ano de 1862, Solano López chegou ao poder com o objetivo de dar continuidade às conquistas dos governos anteriores. Nessa época, um dos grandes problemas da economia paraguaia se encontrava na ausência de saídas marítimas que escoassem a sua produção industrial. Os produtos paraguaios tinham que atravessar a região da Bacia do Prata, que abrangia possessões territoriais do Brasil, Uruguai e Argentina. Segundo alguns historiadores, essa travessia pela Bacia do Prata era responsável, vez ou outra, pela deflagração de inconvenientes diplomáticos entre os países envolvidos. Visando melhorar o desempenho de sua economia, Solano pretendia organizar um projeto de expansão territorial que lhe oferecesse uma saída para o mar. Dessa maneira, o governo paraguaio se voltou à produção de armamentos e a ampliação dos exércitos que seriam posteriormente usados em uma batalha expansionista.
No entanto, outra corrente historiográfica atribuiu o início da guerra aos interesses econômicos que a Inglaterra tinha na região. De acordo com essa perspectiva, o governo britânico pressionou o Brasil e a Argentina a declararem guerra ao Paraguai alegando que teriam vantagens econômicas e empréstimos ingleses caso impedissem a ascensão da economia paraguaia. Com isso, a Inglaterra procurava impedir o aparecimento de um concorrente comercial autônomo que servisse de modelo às demais nações latino-americanas.
Sob esse clima de tensões, a Argentina tentava dar apoio a consolidação de um novo governo no Uruguai favorável ao ressurgimento do antigo Vice Reinado da Prata, que englobava as regiões da Argentina, do Paraguai e Uruguai. Em contrapartida, o Brasil era contra essa tendência, defendendo a livre navegação do Rio da Prata. Temendo esse outro projeto expansionista, posteriormente defendido por Solano López, o governo de Dom Pedro II decidiu interceder na política uruguaia.
Após invadir o Uruguai, retaliando os políticos uruguaios expansionistas, o governo brasileiro passou a ser hostilizado por Solano, que aprisionou o navio brasileiro Marquês de Olinda. Com esse episódio, o Brasil decidiu declarar guerra ao Paraguai. A Inglaterra, favorável ao conflito, concedeu empréstimos e defendeu a entrada da Argentina e do Uruguai na guerra.
Em 1865, Uruguai, Brasil e Argentina formaram a Tríplice Aliança com o objetivo de aniquilar as tropas paraguaias. Inicialmente, os exércitos paraguaios obtiveram algumas vitórias que foram anuladas pela superioridade do contingente militar e o patrocínio inglês da Tríplice Aliança.
Mesmo assim, as boas condições estruturais e o alto grau de organização dos exércitos paraguaios fizeram com que a guerra se arrastasse por cinco anos. Somente na série de batalhas acontecidas entre 1868 e 1869, que os exércitos da Tríplice Aliança garantiram a rendição paraguaia.
O saldo final da guerra foi desastroso. O Paraguai teve cerca de 80% de sua população de jovens adultos morta. O país sofreu uma enorme recessão econômica que empobreceu o Paraguai durante muito tempo. Com o final da guerra, o Brasil conservou suas posses na região do Prata.
Em contrapartida, o governo imperial contraiu um elevado montante de dívidas com a Inglaterra e fez do Exército uma instituição interessada em interferir nas questões políticas nacionais. A maior beneficiada com o conflito foi a Inglaterra, que barrou o aparecimento de uma concorrente comercial e lucrou com os juros dos empréstimos contraídos.


Soldados na guerra do Paraguai

Parlamentarismo às avessas

O Segundo Reinado foi marcado por um conjunto de reformas políticas que pareciam dialogar com os diferentes grupos que controlavam os quadros políticos do Brasil naquela época. Esse comportamento político da época é geralmente justificado pelas conturbações experimentadas durante o Período Regencial, tempo em que diversos conflitos regionais se espalharam pelo país em oposição às decisões tomadas pelo governo central.
Com a chegada de Dom Pedro II ao trono, o Poder Moderador e o Conselho de Estado foram restaurados abrindo portas para uma nova fase de centralização política. No entanto, o novo governo imperial buscou reestruturar as regras do jogo político daquela época instaurando um sistema, em tese, inspirado no parlamentarismo britânico. Na ilha inglesa, o monarca possui uma função política meramente decorativa e deixa as principais decisões nas mãos de um primeiro-ministro escolhido pelo poder legislativo.
No Brasil, a organização do sistema parlamentar acabou sendo completamente “avesso” ao modelo inglês. O imperador Dom Pedro II, imbuído das atribuições concedidas pelos Poder Moderador, tinha total liberdade para escolher os integrantes do Conselho de Estado. Este órgão, situado abaixo da autoridade do monarca, poderia escolher os ministros e realizar a dissolução da Câmara de Deputados. Na maioria das vezes, as ações do Conselho somente refletiam os interesses do imperador.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Período Regencial (1831-1840)

Toda a agitação política do governo de Dom Pedro I culminou em sua rápida saída do governo durante os primeiros meses de 1831. Surpreendidos com a vacância deixada no poder, os deputados da Assembléia resolveram instituir um governo provisório até que Dom Pedro II, herdeiro legítimo do trono, completasse a sua maioridade. É nesse contexto de transição política que observamos a presença do Período Regencial.

Estendendo-se de 1831 a 1840, o governo regencial abriu espaço para diferentes correntes políticas. Os liberais, subdivididos entre moderados e exaltados, tinham posições políticas diversas que iam desde a manutenção das estruturas monárquicas até a formulação de um novo governo republicano. De outro lado, os restauradores –funcionários públicos, militares conservadores e comerciantes portugueses – acreditavam que a estabilidade deveria ser reavida com o retorno de Dom Pedro I.

Em meio a tantas posições políticas, a falta de unidade entre os integrantes da política nacional em nada melhorou o quadro político brasileiro. As mesmas divergências sobre a delegação de poderes políticos continuaram a fazer da política nacional um sinônimo de disputas e instabilidade. Mesmo a ação reformadora do Ato Adicional, de 1834, não foi capaz de resolver os dilemas do período.

Umas das mais claras conseqüências desses desacordos foram a série de revoltas deflagradas durante a regência. A Sabinada na Bahia, a Balaiada no Maranhão e a Revolução Farroupilha na região Sul foram todas manifestações criadas em conseqüência da desordem que marcou todo o período regencial.




Guerra dos Farrapos ou revolução Farroupilha









De Dom Pedro l a Dom Pedro ll

O excessivo poder abocanhado por Dom Pedro foi alvo de protestos e da insatisfação da maioria dos representantes políticos da época, em sua maioria, ligados ao interesse das elites. Ao mesmo tempo, a forte presença lusa nas cadeiras do governo e o envolvimento do rei com as questões políticas de Portugal – como no caso da sucessão do trono português – colocavam sob desconfiança o comprometimento de Dom Pedro I em defender os interesses da nação brasileira.
Não bastassem os desentendimentos políticos, a falta de arrojo do rei junto às questões econômicas também contribuiu para sua queda. A contração de dívidas com a Inglaterra e o gasto de verbas com a Guerra da Cisplatina fortaleceram o movimento oposicionista. Em 1829, a falência do Banco do Brasil agravou o repúdio aos poderes imperiais. Dessa forma, a vitória dos oposicionistas, em 1830, dava sinais do enfraquecimento político de Dom Pedro I.
Aliada às críticas referentes ao seu governo, outro escândalo piorou a imagem do imperador. Em 1830, o assassinato do oposicionista Libero Badaró provocou uma onda de ataques contra Dom Pedro I. Segundo alguns jornais da época, a falta de uma investigação detalhada sobre o crime seria um forte indício do envolvimento do rei com a morte de Badaró.
No Rio de Janeiro, vários confrontos entre brasileiros e portugueses representavam a falta de reconhecimento ao governo imperial. A Noite das Garrafadas, ocorrida no início 1831, ficou marcada como a maior dessas manifestações anti-lusitanas. Ainda tentando recuperar prestígio, em março daquele ano, Dom Pedro I anunciou um corpo de ministros formado somente por brasileiros.
A manobra de Dom Pedro I já era tardia. Os militares aderiram ao movimento de oposição ao seu governo e a câmara dos deputados se tornou um reduto de críticas à presença do rei. Procurando retaliar os revoltosos,
Dom Pedro dissolveu seu conselho de ministros e formou um novo conselho dominado por portugueses.
Sem alcançar o êxito esperado, um grupo de soldados e populares concentrados no Campo de Santana ameaçaram a integridade de Dom Pedro I. Mediante a embaraçosa situação, o imperador abdicou do trono no dia sete de abril de 1831. E deixou como herdeiro do trono o seu filho Pedro de Alcantara ou Dom Pedro II

Dom pedro II

sábado, 11 de setembro de 2010

Primeiro Reinado: crises e conflitos

Algumas da crises e conflitos que aconteceram durante o primeiro reinado foram:
*Revoltas contra o Imperador:
O conflito entre Dom Pedro l e as elites Brasileiras começaram logo apos a independencia. A constituição de 1824, proposta pelo Imperador gerou profundas insatisfações, os liberais criticavam o centralimo e a consequente falta de autonomia para as províncias, além de criticar o Poder Moderador
* Confederação do Equador:
A confederação do Equador consistia em formar um novo país nos estados de Grão-Pará e Rio Negro, Maranhão, Piauí, Sergipe e Bahia (eram chamados assim naquele tempo). A confederação teve apoio do Estados Unidos a Confederação era formada por lideres radicais chamados: José da Natividade, Frei Caneca, Cipriano Barata, João Ratcliff e Manuel de Carvalho. A violenta repreção da Confederação não diminuiu a oposição feita por Dom Pedro l e deu origem a Guerra da Ciplastina.
*A Guerra da Ciplastina :
A Guerra da Cisplatina foi um conflito que ocorreu de 1825 até 1828, envolvendo os países Brasil e Argentina. O motivo desta batalha era pelo domínio da Província de Cisplatina, atual Uruguai, uma região que sempre foi cobiçada pelos portugueses e espanhóis.




Em verde escuro os teritórios que resistiram a independecia e em verde fraco os que sofreram independecia
















sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Poder Moderador 1824

A primeira Constituiçao do Brasil apresentava caracteristicas contraditorias, pois ao mesmo tempo reunia leis liberais e autoritarias. De um lado, as leis garantiam liberdade politica, religiosa e de expressão, sigilo de correspondecia, fim dos açoites, da tortura do ferro e brasa e todas as penas cruéis e, de outro concentravam poderes no Imperador, mantiam a escravidao e impediam o direito de cidadania para grande parte da poulaçao Brasileira.
A carta Magana estabelecia que o Brasil seria uma Monarqiuia hereditaria, ou seja, o chefe de estado e de governo seria um imperador que, com sua morte ou rénuncia , passaria o poder para seu filho primogenito.
Entretanto, os poderes do Imperador eram defenidos pela Constituição e nao por sua propria vontade. Alem disso, a elaboraçao e aprovaçao das leis seriam feitas pelo Poder Legilativo, composto por representantes do povo brasileiro. Portanto, a Monarquia seria constitucional, hereditaria e representativa.
O poder foi dividido em 4:
Executivo, exercido pelo Imperador e seu ministerio.
Legislativo, composto pela Camara dos Deputados e do Senado.
Judiciario, formado por juizes.
Moderador,poder exclusivo do Imperador.
Apesar de constar na Constituição como um poder capaz de resolver os conflitos entre o Executivo e Legilativo, o Moderador servia para que o Imperador pudesse controlar os outros poderes. Como por exemplo nomear senadores, juizes, ministros, presidentes de provincias, dissolver a Camara dos Deputados, aprovar ou derrubar os atos e leis do legislativo.



Carta Magna dizia que o Brasil seria uma monarquia

























Livro_Encontros com a história, 7ª Serie, Vanise Ribero e Carla Anastacia_1ª edição Curitiba 2006

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Monarquia no Brasil logo apos a independencia

Logo depois da independência no Brasil Dom Pedro I implantou a monarquia no país. A monarquia atendia aos interesses dos propietários de terrras que queriam manter a escravidão e o controle político do estado que estavam construindo. Duas dificuldades eram enfrentadas pelo governo do imperador Dom Pedro l, a primeira era a resitência das Províncias da Bahia, Grão-Pará, Piauí e Cisplatina em aderir a independência. Nesas províncias prevalecia o comando das tropas que permaneciam fieis ao governo Português.
De 1822 a 1824 ocorreram nessas regiões lutas entre as facções pró e contra a independência.
A segunda referia-se ao reconhecimento externo da independência do país. Na Europa predominavam as forças políticas conservadoras que denfediam o retorno do colonismo, ou seja defendiam que as áreas que haviam sido libertadas deviam ser reconquistadas pelas nações Europeias.

A resistencia de Portugal em reconhecer a independência de sua ex-colônia foi quebrada pela ação dos diplomatas ingleses. O primeiro-ministro George Cannig, pressionado pelos comerciantes de Londres e Liverpool, que tinham grandes intereses econômicos no Brasil, convenceu o governo Português a aceitar a soberania em 25 de agosto de 1825. Mas Portugal exigiu indenização de 2 milhões de libras esterlinas (como o Brasil não tinha essa quantia ele fez um empréstimo da Inglaterra a juros de 5% por ano) e a concessão do título de Imperador do Brasil em caráter honorário a D João Vl.

Dom Pedro I: primeiro imperador do Brasil e autor da independência do Brasil


















Livro_Encontros com a história, 7ª Serie, Vanise Ribero e Carla Anastacia_1ª edição Curitiba 2006